Vale do Jequitinhonha ~ Design e Artesanato!


Vale do Jequitinhonha – Artesanato, upload feito originalmente por De’h Corrêa.

Finalmente, depois de alguns meses, o projeto no qual estou envolvido pelo CPqD da UEMG junto a FAPEMIG saiu do papel. A proposta do projeto é fazer com que o Design de alguma forma venha ajudar essa pobre região Brasileira e seus moradores. Não iremos salvar o mundo, nem o Vale. Vamos apenas dar mais uma ajuda… e assim, melhorando um pouquinho mais as condições de vida da região.A escolha do Vale do Jequitinhonha como local das pesquisas se deve ao fato de ser uma das regiões mais subdesenvolvidas no Brasil, e, ao mesmo tempo, uma das regiões mais ricas em potencial de geração de riquezas naturais. Situado no nordeste de Minas Gerais, O Vale é composto por 85 municípios integrados às bacias dos rios Jequitinhonha e Pardo, ocupa uma área total de 85.025 km2, além disso, segundo MOURA (2006), “podemos dizer, sem perigo de errar, que o Vale do Jequitinhonha, em toda a sua extensão, é a região mineira onde a capacidade de trabalhos manuais é a mais expressiva…”. Diante disto, há uma grande possibilidade e necessidade de desenvolver um projeto visando o desenvolvimento da região com o objetivo de fazer diferença para a sociedade do Vale do Jequitinhonha.

A importância da atuação de designers na região seria, ao identificar, valorizar e respeitar a biodiversidade e seu rítimo, criar soluções reais que beneficiariam a vida comunitária.

Acordei eram 06:00 da manhã. Meio preguiçoso, me lembrei de onde havia amanhecido e de que o dia seria longo. Eu tinha uma cidadezinha longínqua me esperando para ser conhecida e fotografada. Turmalina fica no norte de Minas Gerais, a aproximadamente 300km de Diamantina e Montes Claros.

Saímos de avião de Belo Horizonte as 11:30am e aterrissamos por volta de 12:15 em Montes Claros lá alugamos um carro e pegamos mais ou menos 300km de estrada de terra até Turmalina. Uma estrada com paisagens lindas e cercada por pequenos vilarejos e casinhas antigas e humildes.

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Estrada de terra, arvores verdinhas, cavalos, bois, galinhas d’angolas, mata seca, céu azulzinho e serras e muito quebra mola. Esse foi o nosso trajeto até Turmalina. Chegamos todos muito cansados, mas foi o tempo suficiente de ainda pegarmos o SEBRAE aberto para dar inicio aos nossos contatos para a pesquisa em campo do projeto.Enquanto o pessoal da minha equipe dormia, levantei e saí para fazer um pequeno Tour pela cidade e apreciar um pouquinho da região antes de começar a pesquisa. A cidade ainda estava dormindo, poucos estavam pela rua… o comércio abria efetivamente as 08:00 am, mas perto da praça central a feira já estava posta em um galpão, e as senhoras mais experientes estavam escolhendo suas verduras, legumes, frutas e peixes fresquinhos.
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Turmalina, “A Jóia do Vale”, é uma das cidades mais desenvolvidas de todo Vale do Jequitinhonha. Percebe-se que já há disparidades sociais assim como nas grandes cidades brasileiras, mas não há formação de favelas, apenas casinhas simples contrastando com casa refinadas.

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Um povo simples, com casas simples e poucas necessidades. A todo momento, na igrejinha mais singela da cidades pessoas entravam e saiam para rezar.
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Não tive muito tempo pela manha pra andar pela cidade, as 07:30 eu já estava de volta no Hotel em que estava hospedado para tomar o café da manha junto a equipe para podermos ir a campo conhecer as artesas e suas necessidades. Voltamos ao Sebrae e lá, D. Iraci respondia algumas perguntas cadastrando seus produtos. Ela era uma das Artesas do Campo Alegre, uma das comunidades de Artesas que ficam afastados da cidade. Ela se dispôs a nos guiar em campo e nos contar as principais dificuldades da região, em relação ao artesanato.

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Durante o caminho até as comunidades, ela foi nos contando sobre a vida delas de seus trabalhos e comunidades. Seu marido estava em São Paulo, junto do marido das outras artesas, cortando cana para complementar a renda da família. Em geral, os homens viajam para os canaviais no inicio do ano e só retornam em novembro, com o pouco dinheiro que conseguem. Sabemos que esse tipo de trabalho é muito mal remunerado e muitas vezes tem regime escravocrata.

Cerca de 20 minutos de estrada, chegamos à primeira comunidade. O Campo do Buriti é formado por artesas filhas das artesas do Campo Alegre, que se casaram e mudaram pra essa região com seus maridos.

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As comunidades das artesas são as vilas mais pobres da região. A única fonte de renda é o artesanato. No local, não existe rede de esgoto e a água é escassa. Todas as casas da vila possuem as chamadas “Fossas” que servem de Banheiro.
IMG_8897-28Vale do Jequitinhonha - Turmalina, Campo do Buriti

As casas simples são sempre muito bem cuidadas e decoradas com a própria arte das artesas. Que algumas vezes ganham utilidade funcional.
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O fogão a lenha esquentava a comida na casa da D. Josefina.
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Na comunidade confirmamos o que D. Iraci havia falado: apenas as mulheres e os filhos, os maridos estavam todos para São Paulo. O unico homem na vila era o XXXX, filho de Josefina. Ele disse, timidamente, que ajuda a mãe com as peças.
Vale do Jequitinhonha - Turmalina
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Depois de Campo do Buriti, nos dirigimos até a Vila Campo Alegre, onde residia a D. Iraci. Chegando lá fomos convidados a conhecer a casa onde ela vivia. Da mesma forma, uma casinha simples ao estilo da D. Josefina.

Na casa de D. Iraci fui muito bem recebido por um garotinho muito esperto!
Aricklenes - Vale do Jequitinhonha - Turmalina, Campo do Buriti
Seu nome é Aricklenes. O garoto me fitava com seu olhar curioso desperto por minha câmera. Abria um sorriso gostoso e queria de qualquer jeito tirar uma foto com minha câmera. E eu, por mais apego que tenho com a Lince, não consigo resistir e deixo ele brincar com meu equipamento.

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Aricklenes me convida para entrar em sua casa, pois queria me mostrar algo. E o que eu vejo é uma casinha de três cômodos: um quarto, uma sala e a cozinha. Na sala Aricklenes assistia um desenho em sua televisão nova.
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Toda a comunidade sustenta-se pelo artesanato. Ela vive de sua arte. Mas onde e como o Design pode entrar nessa realidade? Afinal, nossa meta é ajudar de alguma forma essas pessoas. Eu mesmo nao tinha muita ideia e achava quase impossível achar alguma solução para hábil. Fato é que só de conversar com eles, as respostas começam a aparecer.

Vale do Jequitinhonha - Artesanato
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Descobrimos que um dos maiores problemas que as artesas enfrentam é com o meio de transporte. Apesar dos produtos serem sempre muito bem embalados, existe muita quebra durante o transporte. Achamos então, um espaço para o Design. Na região, existem varias empresas que trabalham com “Madeira de Reflorestamento”, ou Eucalipto. A Produção é incrivelmente alta, notem no GoogleMaps, lá em cima, a extensão das plantações de Eucalipto da Região. Praticamente todas as serras ao redor de Turmalina já foram tomadas pela Monocultura de “floresta”. Mas, isso pode ser útil para a produção das embalagens. A idéia é fazer com que os maridos dessas mulheres trabalhem as embalagens, ao invés de perderem suas vidas longes de suas mulheres cortando cana em São Paulo. Pela primeira vez, senti o design como uma profissão importante, realmente capaz de mudar vidas.

Uma das peças mais Tradicionais de Turmalina são as Mulhres de Barro. Cada uma expressa um costume da regiao, e momentos universais das mulheres em geral. O interessante é notar que cada moça de barro apresenta traços bem parecidos com a artesa que a criou.

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Observe se as bunequinhas não se parecem com elas! Desde as feições até o penteado.
Vale do Jequitinhonha - Turmalina, Campo do Buriti
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A noite começa a chegar no Vale, nos despedimos de D. Iraci, agradecemos a paciência e esperamos voltar lá com boas novas, muito em breve agora que o primeiro passo já foi dado. E voltamos para a cidade. Em Turmalina, as crianças começam a sair das escolas e as pessoas começam a voltar para casa depois de mais um dia de trabalho.

Vale do Jequitinhonha - TurmalinaUm pouco de Fumo para relaxar…
Vale do Jequitinhonha - TurmalinaE, em fim, ir para casa.
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Esta senhora arruma uma nova forma de uso para sua cadeira.
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Em função de sua altura, ela deita a cadeira para ficar mais confortável e poder observar a rua tranqüilamente em frente sua casa, protegida por Nosso Senhor.Como é época de eleição, escuto do meu quarto o inicio de um comício politico. “Povo de Turmalina, chegou a nossa vez!”, “Vamos dar o troco, é Sô Elso numero 14”. Não podia perder a oportunidade de ver como a população de turmalina se comporta durante os momentos políticos. Aqui em Belo Horizonte, as pessoas são contratadas para levantar a bandeira de determinado candidato e toda cidade fica imunda, como seria em Turmalina? Pego minha câmera e começo a seguir os gritos do comício.

No caminho, encontro Dona Gabriela que também escutava o comício da porta de sua casa. o Voto dela era com certeza para o Sô Elso, o homem do povo.

Dona Gabriela - Vale do Jequitinhonha - Turmalina

A cidade se dirigia para o ponto mais alto da cidade, local do discurso politico. Segundo os moradores, o atual prefeito (representante da Elite de Turmalina) havia ganho a eleição passadas de forma ilícita e que havia abandonado a população mais pobre.

Fuscão Preto ~ Vale do Jequitinhonha
No cume da cidade, euforia, cantos e muita promessa.
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E Sô Elso desce do palanque para caminhar junto ao povo.
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Em fim, o comício acaba. E Turmalina, dorme.
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E eu fico na espera da próxima viagem ao Vale!
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4 Responses to “Vale do Jequitinhonha ~ Design e Artesanato!”


  1. 1 Simone Lara January 14, 2009 at 11:06 pm

    Olá André,

    Sou a esposa do Fernando seu primo, estou parabenizando pelo seu belíssimo trabalho. Meu próximo objetivo e fazer um curso profissional de fotografia. Depois de ver as belas fotografias fiquei ainda mais motivada. Sucesso na sua carreira e continue registrando as pessoas tirando-as do anonimato.

    Beijos a todos, fala com a Goreth que estou com muitas saudades.

    Simone Lara dos Reis Corrêa

    Brasília

  2. 2 Simone Lara January 14, 2009 at 11:06 pm

    Olá André,

    Sou a esposa do Fernando seu primo, estou parabenizando pelo seu belíssimo trabalho. Meu próximo objetivo e fazer um curso profissional de fotografia. Depois de ver as belas fotografias fiquei ainda mais motivada. Sucesso na sua carreira e continue registrando as pessoas tirando-as do anonimato.

    Beijos a todos, fala com a Goreth que estou com muitas saudades.

    Simone Lara dos Reis Corrêa

    Brasília


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