As Minas Gerais e seu SubMundo ~


Ruas de Ouro Preto, durante a noite ~,
upload feito originalmente por De’h Corrêa.


São 05:00am, estamos prontos para viajar. A idéia é passar a manhã em Ouro Preto, almoçar por lá e em seguida pegar a Maria até Mariana.

Meu pai acompanha eu e meu primo nesta viagem. Faziam poucos dias, eu havia passado algumas horas em ouro preto com amigos na volta de uma cachoeira em Itabirito, cidade vizinha. Mas desta vez, diferentemente, eu iria passar o dia por lá.

A estrada até Ouro Preto é tranqüila e está bem cuidada. O Governo mineiro tem investido muito em turismo através da chamada Estrada Real que liga o litoral do Rio de Janeiro até às Minas de ouro de Minas. No caminho temos lindas paisagens para observar, montanhas com vegetação ainda intactas e outras nem tanto. Passamos por diversas cidadezinhas até chegar às ruas de pedra de Ouro Preto.

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Era um domingo tranqüilo, não era uma data turística e não havia nada de especial ocorrendo na cidade. Estacionamos o carro e logo um flanelinha já pediu pra dar uma olhadinha básica em nosso veiculo, pratica comum aqui em BH e nas grandes cidades que já se espalhou para o interior.

O passeio começa tímido devido àquela manha gelada. Ainda sem saber o que iríamos visitar de novo em Ouro Preto, ficamos apenas observando a linda arquitetura colonial e as imponentes igrejas nas praças publicas. Mas logo o sol nasce e espanta a neblina que cobria as gigantescas montanhas mineiras.

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É possível observar, por marcas históricas, como eram divididas as classes sociais nas colônias portuguesas. Os exemplos mais claros ficam expressos nas casas e nas igrejas. As igrejas mais imponentes e cheias de ouro eram os templos da alta sociedade enquanto as mais simples serviam de refugio para os oprimidos.

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Um dos “detalhes” que achei interessante nessas igrejas colônias é a forma como a morte esta inserida na arquitetura das mesmas. Em muitas, as pessoas importantes eram enterradas dentro da própria igreja no tablado abaixo dos pés dos fiéis que se ajoelhavam ao rezar. Mas para o resto da população havia um terreno ao lado da igreja com diversos túmulos à espera. Isso quando a pessoa tinha sorte de ser enterrada.

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Ah! É uma delicia andar por Ouro Preto! Aquelas casinhas todas coladinhas umas nas outras. Cada uma com seu charme e estilo à moda antiga. Hoje como uma cidade turística, nos oferece o melhor da comida mineira (que eu como vegetariano não aprecio) e o artesanato típico da região, com destaque para a pedra sabão.

E foi andando pelas ruas de Ouro Preto que encontrei o meu amor que me esperava na janelinha de sua casa. =P

Tá me esperando na janela, ai, ai ~


Mas, o que esta por trás de todo esse encanto dourado das igrejas e o requinte da arquitetura colonial?

São poucos, muito poucos os turistas que tem a oportunidade de visitar o SubMundo dos Escravos. Não tão distante da praça de Tiradentes, por cerca de dez minutos de carro em direção a Mariana, é possível visitar a maior mina de ouro aberta ao publico do mundo. Todos nós sabemos que Ouro Preto, assim como as grandes cidades coloniais, foi erguida pelo sofrimento causado pela escravidão. Isso é contado em TODOS os livros de história de nosso país. Mas quem realmente ja visitou a morada dos escravos? Não falo das Senzalas nem das plantações de Café, em comparação, esses locais deveriam ser considerados paraísos para os escravos! Uma vez que era possível ver a luz do sol.

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Para cada Tonelada de pedra retirada em uma mina, conseguia-se extrair cerca de 2g de ouro. Minas Gerais, no auge de sua mineração, conseguiu 700 TONELADAS de ouro. Olha, confesso que não consigo fazer a conta de quantas toneladas de Pedra foram retiradas para se conseguir essa quantia de ouro. Mas imagino cerca de 100 mil pessoas (escravos) tentando sobreviver no submundo das Minas de Ouro. No Brasil, são poucas as minas de ouro ativa. Mas hoje em dia as coisas melhoraram significativamente, não que seja uma maravilha trabalhar em uma mina, mas já existe até segurança no trabalho. Contudo essa realidade ainda é vivida em outras nações. O estúpido governo Chinês ainda consegue manter práticas escravocratas em seu regime tosco.

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Hoje a Mina da Passagem é atração turística, mas ainda pouco conhecida até pelos próprios mineiros. Há 20 anos ainda se extraia ouro dela. Só indo até ela para constatar o quão árduo era o trabalho dos mineiros. É possível visitar 800 metros dos 32 Kilometros da mina.

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Altar de Nossa Senhora, Mina da Passagem.


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Ficamos cerca de uma hora dentro da mina, apreciando cada detalhe resultante da intensiva escavação. No local, além da mina de ouro, existem outras atrações como jogos e atividades de Aventura: Tirolesa, escalada e etc. Vale muito a pena dar uma olhada. =D

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Voltamos à Ouro Preto, almoçamos e pegamos à Maria Fumaça em Direção à Mariana.

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Uma viagem gostosa ao som da velha Maria que corta as montanhas Mineiras. Diáriamente o trem liga Ouro Preto à Mariana em uma viagem de mais ou menos uma hora e meia. Nada cansativo.

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O trem além de ligar as duas cidades é uma atração não somente para os turistas. Durante seu percurso vemos crianças correndo e gritando: “Olha o trem! Olha o trem!”. Elas saem de suas casas e vem ver a Maria passar.

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Mariana é uma cidade bem simpática. Ela se encontra em um vale entre as montanhas, o que faz dela menos “morrosa” que Ouro Preto. Arquiterura semelhante, pra não falar idêntica, à da cidade vizinha. Mas o que me chama mais atenção é o charme das pequenas Janelas, muito bem cuidadas por sinal.


Não ficamos muito tempo em Mariana, o suficiente apenas para atravessar toda cidade e pegar um ônibus de volta. Sim, a cidade é muito pequena. Pelo menos a região central dela é. A praça principal é o “point”, acho que muito da população de Marina é composta por universitários e a praça fica lotado deles… bebendo. Funk é a musica que ecoa por Mariana.

Voltamos à Ouro Preto e ficamos até o anoitecer para fotografar e apreciar a noite ouro pretana. No caso, a foto abre o post. Chegamos em casa às 23:00, exaustos mas satisfeitos.

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